Porto de Santos será Hub?

 

Entra ano, sai ano, vem outro e a ladainha é sempre a mesma. A promessa do maior porto da América Latina se tornar um Hub Port é uma promessa recorrente. A promessa de ter 15 metros de profundidade, para receber grandes navios, dos maiores, nunca sai do papel. Até porque, nem é suficiente. Os grandes navios têm 15-16 metros de calado. O que significa que o porto precisa ter, pelo menos, 17 metros de profundidade. Cuidado para não misturar conceitos. Calado é do navio. Profundidade é do porto.

Ao longo de quase cinco décadas na atividade, já participamos de muitos eventos sobre o assunto. Leitura então, nem se fala. Como é um assunto que dá audiência, principalmente aos amantes do porto de Santos, como nós, o assunto está sempre em pauta. A cada evento que vamos, ou nota que lemos, já sabemos que é mais uma oportunidade de alguém falar para ser ouvido. Bom, pelo menos, é uma oportunidade de escrevermos mais um artigo sobre este porto que poderia ser nosso melhor.

Já citamos isso em artigos, e só para ficarmos nos últimos 15 anos, relembramos que no início da década passada fomos entrevistados por uma TV de Santos, na Praça da Santa. E depois de muita conversa, o entrevistador nos faz, ao final, a pergunta chave, rotineira. O que achávamos de Santos como Hub Port. Ao dizermos, categoricamente, que Santos, a continuar a mesma conversa de sempre, jamais será um Hub Port, o amigo dá um pulo da cadeira e nos diz: Está louco? Todos dizem que Santos o será. Todos menos nós, que achamos o contrário, sabemos como as coisas funcionam.

Em 2009, apenas para citar as grandes datas, volta o assunto. Em Santos reúnem-se o porto, prefeitura, autoridades, etc., e decidem que Santos movimentará 230 milhões de toneladas de carga em 2024.

Imediatamente escrevemos um artigo dizendo que isso não ocorreria. O andar da carruagem não permitia dizer nem fazer isso. Chamamos o artigo de “Santos 2024” e dissemos que era um sonho de uma noite de verão, bem como de inverno. Em 2016 movimentamos apenas metade daquilo. Em 2017 haverá aumento.

Em 2015, numa Associação de prestígio em São Paulo, foram reunidos figurões do porto como presidente de um deles, diretores de outros, a Praticagem, etc. Agora era a promessa “efetiva”, mais uma vez, de que em 2017 o porto teria 17 metros de profundidade. Pedimos a palavra e explicamos, didaticamente, que isso não ocorreria e por quê. Escrevemos o artigo “Santos 17” explicando.

2017 acabou e cá estamos nós, com o nosso pobre e querido porto sempre dependente de políticos, a navegar, ele próprio, dentro da turbulência de um mar de nomeações políticas, incertezas permanentes, falta de verba, promessas vãs. Temos administrador, mas, de que adianta, se tudo que o cerca não funciona. Vale o velho e popular ditado de que “uma andorinha só, não faz verão”.

É notório que o Jornal A Tribuna tem uma paixão especial pelo porto, como sói acontecer. E promove anualmente a “Santos Export”. Com o óbvio intuito de mudar esse estado de coisas. Que nosso Porto de Santos esteja acima de qualquer disputa ou individualidade. Que ele represente a sua cidade, o Estado de São Paulo e o País dignamente.

Que se sobressaia como o melhor porto brasileiro, e saia daquela infeliz colocação dado aos portos brasileiros pelo Fórum Econômico Mundial em 2014. A 131ª posição em 148 países. E, considerando que não temos no mundo, mais do que uns 60-70 que realmente contam, qual nossa posição?

Brasil, acorde, Santos, com 28% da carga nacional, é fundamental a nosso desenvolvimento.

Jornal A Tribuna

Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; incoterms; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms 2010.

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