Abundância e empobrecimento

 

Todos sabem, ou não deve ser desconhecido de ninguém, que o Brasil apresenta as melhores condições do mundo para ser um país de alto desenvolvimento em qualquer aspecto.

Um país continental, entre os cinco maiores do mundo em território. 7.500 quilômetros de costa marítima, com tudo que ela oferece e que pode ser usado e explorado. O maior território agricultável do planeta, para plantar e colher o que quiser. Um subsolo fantástico, com tudo que precisamos. Além do que, segundo se sabe, temos sob nossos pés cerca de 15% de todo a água doce existente neste planeta azul. E com sol praticamente o ano todo.

A maior floresta tropical do mundo, com tudo que ela pode oferecer. Um pantanal invejável, único. Um litoral lindíssimo, podendo receber dezenas de milhões de turistas, no entanto, estamos limitados a seis milhões por ano. Muito menos que cidades e países existentes no mundo. Menos que a Argentina e Croácia.

Temos, no conjunto, o que nenhum outro país tem. E não temos as desgraças que outros têm como terremotos, vulcões, furacões, etc. Um país, cujo Produto Interno Bruto (PIB) teria que estar acima de uma dezena de trilhões de dólares, mas que está em pouco menos de dois trilhões.

Deveríamos ter uma renda per capita das maiores do mundo, comparável, no mínimo a dos melhores países do mundo. No entanto, não chega a US$ 10 mil.

Temos um país com um povo de criatividade invejável. Se deixarem o brasileiro criar, e se for usado adequadamente, seremos incomparáveis.

No entanto, qual a diferença entre a realidade possível e a palpável? Muitos anos-luz. E a solução é relativamente simples.

Caso não fosse, não teríamos dezenas de países com grande ou alto desenvolvimento. Países muito mais novos do que nós, por exemplo, a Austrália. E se não fosse fácil, não teríamos países que eram piores do que nós nos anos 1950 e 1970, como Finlândia e Coréia do Sul, e que hoje nos deixam muitas décadas atrás.

Então, com tudo isso, o que nos falta? Simples. Falta honestidade em primeiro lugar. Ética. Moral. Isso significa que somos um povo desonesto, sem ética, sem moral? Não. Mas temos um povo de cordeiros, que não toma atitudes, que não defende seus direitos, e deixa aqueles fazerem o que quiserem. Votamos em políticos desonestos, individualistas, que jamais pensam no povo ou país, mas apenas em seu próprio futuro. E por que votamos neles e os reelegemos, mesmo vendo o que fazem?

Será que a solução está na educação? Certamente é a primeira atitude a ser tomada. Mas não é o suficiente. E só vermos o que acontece em outros países para ver que iludir o povo é fácil.

Mas, é o primeiro passo, fundamental, e que terá que ser feito para que o país saia do buraco em que se meteu.

Temos que entender que precisamos tomar também outras atitudes como reformar totalmente o país.  Fazer as reformas trabalhista, previdenciária, política, tributária, etc., é premente. Mesmo o que já foi feito, ainda precisa ser mudado, aperfeiçoado, aprofundado.

Em especial, temos que ter regras rígidas para políticos se colocarem à disposição para eleições. Seguir uma hierarquia como vereador, deputado, Senador, prefeito, governador, presidente. E com estudos compatíveis, não apenas escrever seu nome, etc.

 

Jornal DCI de 08/08/2018

Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; incoterms; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms 2010.

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2 Comments

  1. Excelente post: claro, contundente e de certa forma provocativo! Todos os eleitores e “formadores de opinião” deveriam não apenas ler, mas refleti-lo antes de irem às urnas em 7 de outubro.

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    • Meu estimado amigo André, muito obrigado pelo seu comentário. forte abraço

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