Trump, economia e comércio exterior

 

 

“Trump e o desastre para a economia”, foi o título do artigo que publicamos neste jornal em março de 2017. No mesmo mês publicamos no site da Aduaneiras o artigo “Trumpismo e o comércio exterior”.

Nos dois artigos, previmos que o presidente Dos Estados Unidos destruiria a economia e o comércio mundial.

Parece que, uma vez mais, nossos prognósticos podem estar corretos. O tempo dirá. Na sua política do “America First”, ele se esqueceu de detalhes econômicos e comerciais importantes. Para vender é preciso comprar. Para comprar mais é necessário que as mercadorias custem menos. Para vender mais é necessário que sua produção de mercadorias tenha custos menores.  Que protecionismo gera protecionismo. Retaliação gera retaliação. E que o comércio entre países é uma relação em que ambos os lados ganham.

Parece que ele não conhece muitos conceitos econômicos. Ser um grande empresário, ter feito uma riqueza enorme começa a parecer coisa de sorte. Mas tanta sorte não parece tão plausível.

Se não foi sorte, o que aconteceu com seus conhecimentos de economia e comércio? Isso é confuso? Muito, e também não entendemos o que está acontecendo. Só a mente confusa dele pode explicar. E bota confusa nisso. Basta ver sua forma de governar.

O fato é que ele tem provocado grandes sombras sobre a economia mundial, em especial nas relações de trocas no comércio exterior.

Logo de cara exigiu que as empresas norte-americanas retornassem e não produzissem no exterior, para fortalecer a sua economia. Fortalecer provocando custos de produção mais altos? Está funcionando por ora, a economia está crescendo, a inflação é baixa e com emprego recorde. Mas, até quando? Certamente não é a melhor política de longo prazo.

Em seguida atacou o comércio mundial, esquecendo que essa é a melhor forma de desenvolvimento de um país. Juntamente com um mercado interno forte.

Saiu do Tratado Transpacífico (TPP), que levou anos sendo negociado. Cujo acordo de livre comércio representaria 40% da economia mundial, o maior do mundo. E que agora é um acordo dormente, sem um futuro claro à frente. Mostrou sua aversão ao México e a Associação de Livre Comércio da América do Norte (North America Free Trade Association – NAFTA) que agora está em cheque.

Dentre as estripulias, comprou briga com a segunda economia mundial e maior exportador e importador do mundo, a China. Resolveu colocar sobretaxas a produtos chineses em centenas de bilhões de dólares. Obviamente que haveria represália. E o mais estranho na situação, para não dizer que ele é um ser estranho, parecendo um alienígena na economia e comércio exterior, é que ele não tem senso do que faz e do que pode acontecer.

Ele abre a temporada de sobretaxas e não quer que a China faça o mesmo. Quando a China revida, colocando sobretaxas em valores equivalentes, ele se revolta e coloca mais sobretaxas como ”represália”.

O quem pensar de um ser assim? Sem lógica, que não pensa no resultado final? Se ele continuar assim e, ainda, por uma daquelas coisas incompreensíveis, for reeleito, certamente ele poderá provocar o fim do livre comércio como o conhecemos, e o desenvolvimento da economia mundial como ocorreu nas últimas décadas.

 

Jornal DCI em 04/10/18

Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; incoterms; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms 2010.

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