Atividades exercidas no comércio exterior (Livro ABC do Comércio Exterior)

 

Segue o subcapítulo 6.4 do meu livro “ABC do Comércio Exterior – abrindo as primeiras páginas”, São Paulo: Aduaneiras, 2017, para orientação de profissionais ou iniciantes em comércio exterior, para ter uma ideia da importância e de algumas coisas que se pode fazer e em que trabalhar na área:

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6.4.        Atividades Exercidas no Comércio Exterior

Quando se está envolvido no comércio exterior, como ocorre com qualquer outra área, muitas atividades podem ser desenvolvidas e dezenas delas estão disponíveis para isso. Trataremos aqui de algumas delas.

Uma das importantes atividades da área é a de trader, podendo ser de exportação e/ou de importação, sendo o responsável pelas vendas e compras internacionais da empresa. Ele deve ter amplos conhecimentos em diversas áreas para poder exercer adequadamente a função. É natural que conheça diversos idiomas estrangeiros, esteja familiarizado com os hábitos, gostos, costumes, símbolos, religião, leis etc., do país com o qual está negociando, a fim de poder realizar o melhor trabalho possível.

Deve ter amplos conhecimentos técnicos sobre ferramentas de venda e entrega como os Incoterms® – International Commercial Terms (Termos de Comércio Internacional) da ICC – International Chamber of Commerce – Paris (CCI – Câmara de Comércio Internacional – Paris) e sobre pagamentos internacionais como Carta de Crédito (Letter of Credit) e a publicação Usos e Costumes Uniformes para Créditos Documentários (Uniform Customs and Practice for Documentary Credits) também da CCI – Paris (ICC – Paris) e outros de importância para a sua atividade. Sem esquecer as definições revisadas do comércio exterior norte-americano (Revised American Foreign Trade Definitions) de 1941, ainda usadas por alguns comerciantes dos EUA em lugar dos Incoterms®.

Quanto à necessidade e importância de se conhecer o produto com o qual está lidando, tanto na venda quanto na compra, é desnecessário discorrer longamente, ficando a mensagem, apenas, de que este relacionamento com a mercadoria deve ser o mais profundo possível.

Outra área em que se pode atuar é a da produção, devendo o profissional ter amplo conhecimento sobre produção e produto, bem como informações e conhecimentos do mercado para o qual se está enviando mercadorias, no caso de exportação, a fim de apresentar adequadamente ao mercado consumidor destinado os mais diversos aspectos, entre eles, por exemplo, a embalagem, a quantidade e o peso ou as unidades por embalagem.

Podem ser exercidas atividades nas áreas de transporte e logística, estas cada vez mais integradas e operando em conjunto, nos quais é importante o conhecimento do instrumento Incoterms® citado em capítulo apropriado mais à frente. Nesse caso, a sua atuação pode ser numa empresa exportadora ou importadora, fazendo a parte de contratação de transporte e entrega da mercadoria.

Pode-se, ainda, atuar em empresas de transporte, as mais variadas e nos diversos modos disponíveis, como armadores, que podem ser operadores de navios ou não, transportadores rodoviários, ferroviários, aéreos, operadores de transporte multimodal.

É possível praticar-se o agenciamento, tanto de cargas quanto de transportadores e ajudar o comerciante a tornar possível a atividade de exportação e importação. Aqui, o profissional vende serviço, e não está diretamente envolvido com a compra e venda de mercadorias. Ele pode transportar ou ajudar a transportar, realizar operações logísticas etc. Pode trabalhar em agências marítimas, agentes de carga aérea, agenciamento de cargas em geral, brokers de carga ou de navios, transitários de cargas, operadores logísticos em geral etc.

A área de transporte e logística tem hoje uma função muito importante, em que a quantidade de profissionais capacitados à atividade ainda é considerada inadequada para a sua importância e o que ela representa e pode fazer pelo comércio exterior. A logística e o transporte são atividades que hoje, mais do que outras, podem ajudar a reduzir muito o custo final de entrega de mercadorias, criando condições de aumento dos lucros ou, melhor ainda, reduzindo seu custo e, por consequência, seu preço de venda ou compra.

O despacho é outra atividade em que se pode estar envolvido. Representa a ação nos trâmites legais da entrada e saída de mercadorias num país. É necessário, para isso, um profundo conhecimento das normas que regem o comércio exterior do país, os documentos envolvidos para o despacho da mercadoria e os sistemas manuais e eletrônicos de registro e controle. Aqui pode ser um despachante aduaneiro ou trabalhar numa comissária de despachos ou empresa de prestação de serviços de despachos no comércio exterior.

Outra das importantes atividades é a documental de exportação e importação, que lida com os documentos necessários à saída da mercadoria de um país e sua entrada em outro, cobrança, transporte etc., como fatura comercial, packing list, documento de transporte, apólice de seguro, certificado de origem, certificados diversos. Aqui se faz necessário o conhecimento de representações diplomáticas estrangeiras quando se exporta para determinados países que exigem legalizações, vistos, autenticações, selos nos documentos que serão emitidos e enviados ao exterior, para o importador. É normal que não se permita a entrada da mercadoria se este ritual não for cumprido e os documentos não estiverem autenticados. Torna-se importante também que o profissional conheça os documentos a serem legalizados e os trâmites para isso, bem como o conhecimento da localização destes órgãos ou entidades e seus horários de funcionamento, entrada e liberação dos documentos.

Nessa atividade documental é de fundamental importância o conhecimento de Carta de Crédito e do seu instrumento de regulação, os Usos e Costumes Uniformes para Créditos Documentários, bem como outros de importância para a atividade.

O comércio exterior, como já vimos, em geral implica negociação em moeda estrangeira e, neste sentido, dependendo das normas do país, não se pode mantê-la em seu poder, como sempre ocorreu no Brasil, situação que já mudou, sendo que agora já se pode manter a moeda em conta no exterior. Nas exportações, em que as divisas são internadas, isto é, que o exportador deseja trazer ao país, deve-se vender a moeda estrangeira para um banco autorizado a operar em câmbio, trocando-a por moeda nacional. Na importação, o caminho inverso é percorrido e, para realizar o pagamento da mercadoria comprada no exterior, há que se adquirir a moeda estrangeira de um banco autorizado a operar em câmbio, entregando-lhe o equivalente em moeda nacional, a menos que se utilize a moeda estrangeira mantida no exterior.

Para isso pode-se trabalhar em empresas exportadoras ou importadoras, bancos autorizados a operar com moeda estrangeira, casas de câmbio, corretores de câmbio, bancos oficiais de controle da moeda e do câmbio etc.

Dentre tantas atividades, bem como as possibilidades de terceirização de serviços, muitas outras estão disponíveis.

O profissional de comércio exterior pode estar envolvido na prestação de serviços de assessoria – ajuda e assessoramento orientando o comerciante ou transportador, operador e qualquer atividade.

O mesmo se dá em relação à consultoria, que é o exame e aconselhamento ou fornecimento de pareceres sobre determinadas situações, também muito útil e sempre necessária, já que nem sempre os envolvidos conhecem profundamente aquilo com o que estão lidando, e necessitam de ajuda, em geral externa.

O despacho terceirizado também é muito comum, realizado por despachantes profissionais, sendo muito procurado pelas empresas, pois muitas vezes é mais fácil, barato e conveniente do que a preparação e constante atualização de funcionários para o desempenho da função. É tanto mais verdade quanto menor for a empresa, visto que não é necessário manter alguém na função para uma quantidade diminuta de processos a serem despachados.

Pode-se considerar, também, o ato de fiscalizar, exercendo a função num órgão público, em especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil, na divisão direcionada ao comércio exterior.

Outras funções que podem ser exercidas, em consonância com a área, são a de professor em comércio exterior, jornalista especializado, escritor, assessoria etc.

Como se vê, muito se pode fazer no comércio exterior, tornando a área muito rica naquilo que se pode fazer nela e por ela. As atividades aqui mencionadas são apenas alguns exemplos da vastidão dessa área.

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Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; Incoterms®; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

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