Surpresas no comércio exterior – 12 (Bill of Lading Fee – um contrassenso)

 

Bil of Lading Fee – um contrassenso

Todo mundo hoje em dia paga ao armador, via agência marítima que o representa, um valor pela emissão do Conhecimento de embarque. Não só pelo B/L, mas também pelo Sea Waybill. Um contrassenso, que ninguém discute e paga. E um valor alto. Começou com US$ 10.00/15.00, e hoje….

Se não nos falha a memória, isso surgiu em 1996 quando estávamos na Sadia (hoje BRF, depois de comprada pela Perdigão). De repente, não mais que de repente, um grande amigo de uma agência marítima que representava um armador inglês, nos liga e diz que a partir de então nós deveríamos pagar pela emissão do B/L. Nem morto dissemos a ele.

Na mesma ocasião, um outro grande amigo, super hiper irritado nos disse, na mesma semana, indo a uma festa juntos num ônibus, que o mesmo amigo comum lhe disse a mesma coisa.

A resposta dele foi que, a partir de então, não embarcaria mais com eles. Resultado é que Londres, na semana seguinte, o liberou do pagamento.

No nosso caso, usamos outro argumento, simples. Que o armador era obrigado a nos dar um recibo, um comprovante, pelo embarque da mercadoria, e o B/L tem 3 funções. Contrato de transporte, Recibo de carga, e título de crédito. O SWB é título de propriedade e não de crédito. Assim, tinha que nos entregar o B/L sem cobrança, pois era o comprovante do nosso embarque. E, também, dissemos que isso equivaleria a irmos a uma loja e comprarmos um objeto qualquer, por exemplo, um terno. E ao pedirmos a Nota Fiscal, o balconista nos cobrasse pela sua emissão.

Dissemos que não pagaríamos e nunca pagamos até 1998, quando paramos de trabalhar em empresas e seguimos no ensino e nas letras. Era um direito nosso o comprovante, representado pelo B/L. Teve até um pouco de comédia, que rimos juntos. Ele nos disse que a Perdigão pagava. E nós lhe dissemos que pagava porque não estávamos mais lá, rsrsrs. Saímos da Perdigão pouco tempo antes e fomos para a Sadia.

É claro que sabemos que isso hoje é uma questão de poder. Os armadores são poderosos demais, mas, de qualquer maneira, continua não sendo correto.

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Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; Incoterms®; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

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