Brasil quebrado 2 – Adicionais sem tempero

 

Homenagem àqueles que quebraram o país e aos que os ajudaram de alguma forma, inclusive votando para que fizessem isso. Também aos que continuam escondendo os fatos

Não tínhamos intenção alguma de continuação do nosso artigo de 08/01/2021 “Brasil está quebrado, sim (e vamos mostrar aqui)”: https://blogdosamirkeedi.com.br/?p=3792.

Mas, a Pátria pede socorro, exige ajuda, vigilância, água mole em pedra dura“. Os que desconhecem os fatos e/ou não querem ver, precisam conhecer e se dobrar à realidade. “Antes tarde do que never”. Mesmo os empresários, cuja maioria desconhece a real situação brasileira. Dos economistas e analistas nem vamos falar, já cansamos, e não adianta, falta muito preparo.

No artigo anterior mostramos alguns fatos, absolutamente incontestáveis, pois são dados reais. E, contra dados ou fatos, não há argumentos. “Claro que sabemos que os há” (sic).

Falamos da dívida do governo federal, e em 2012 escrevemos sobre alcançar 100% do produto interno bruto (PIB) em 2020. Quem leu sabe da gravidade apontada na ocasião, e quem não leu aqui vai: https://blogdosamirkeedi.com.br/?p=1684

Adicionalmente, comentário da classificadora Moody’s de 2017:  https://blogdosamirkeedi.com.br/?p=2522

Indo aos Estados, a dívida de 4 importantes deles em 2020, também são impagáveis. Os dados são reais, não criados, e falam por si.

Dívidas dos Estados e Municípios – Fonte ME – R$ Bilhões

Estados Dívida RCL DC/RCL%
SP 267,8 160,9 166,44
MG 132,1 67,3 196,29
RS 93,6 40,6 230,34
RJ 183,4 57,8 317,30

DC=Dívida consolidada

RCL=Receita consolidada líquida

Aumentar mais a carga tributária brasileira não é possível, já que é a maior do mundo em termos relativos. Considerando o que ela retorna, podemos colocá-la por volta de 50-55%, ao invés dos oficiais 32%. Bem acima da Dinamarca, que está por volta de 50%, mas, lá ela retorna. Ou seja, Como aqui pagamos também, diretamente, o que na Dinamarca não se paga, pois lá a carga tributária paga, podemos chamar a diferença de 20-25% de carga tributária indireta, ou seja, disfarçada, escondida. Assim, é a maior do mundo também em termos absolutos.

A população economicamente ativa (PEA) é de cerca de 100 milhões de almas. A quantidade de registros em carteira é de cerca de 33 milhões de trabalhadores. Assim, quantos sustentam a previdência social? Quantos pagam impostos para que os governos funcionem? 30% da PEA, ou 15% da população brasileira. Alguém pode dizer que um país pode funcionar assim?

Quem conhece estes dados, absolutamente trágicos? Quem pode estranhar os constantes aumentos de carga tributária já ocorridos, que em 1948 era de 14%?

O salário médio do brasileiro é de cerca de R$ 2.500,00 na iniciativa privada. Quanto é no serviço público, pago pelo trabalhador comum, que o sustenta? Como sustentar uma previdência com essa média, oferecendo a este trabalhador saúde e aposentadoria dignas? Quanto o transporte representa disso para que ele possa ir trabalhar e trazer para casa esse salário? Lembrando que uma boa parte ganha salário mínimo. Se isso não é uma tragédia, o que é?

Assim, temos um mercado consumidor que, certamente, considerando o que seja de fato um mercado consumidor, não passa de 20-30 milhões de brasileiros. Que mercado é essa, de 10-15% da população total? Não é a pobreza e falência absoluta?

Não bastasse ser uma situação já antiga, ainda tivemos a década passada como a pior da história, com crescimento de 0,15% ao ano. O que agravou mais a pobreza, já que o crescimento da população foi de cerca de 0,8% ao ano.

E o que os governadores e prefeitos fizeram em prol disso? Com a determinação do STF, que não entende mais o que julga, que deveria ser apenas a Constituição, fecharam o país para agravar mais ainda a situação. Como fecharam parque e praias. Mas, e o metrô, ônibus e trens? Não, esses podiam funcionar para agravar mais a situação voluntária.

Assim, tão trágico que o governo federal, de forma inédita, sem ter culpa da situação de Estados e Prefeituras, e afastado das suas verdadeiras funções, e considerando os valores para um país pobre, sustentou a economia com um auxílio emergencial de mais de meio salário mínimo per capita por vários meses. E não para alguns brasileiros, mas, um terço, 70 milhões, com mais de R$ 600 bilhões de reais que não existiam, agravando mais a falta de recursos e dívida interna. Se isso não é uma tragédia o que é?

E ainda temos que conviver com economistas e analistas que adquiriram seus conhecimentos não se sabe como e onde, contestando e discutindo o óbvio. O que é tragédia para eles?

Se não entendem dessa forma, e não concordam com os fatos, vamos dizer a eles o que é tragédia de forma diferente. Ainda maior do que tudo que foi dito em 2 artigos, e que eles parecem desconhecer.

Este país é, técnica e fisicamente, o melhor do mundo, senão vejamos, e que nada justifica tamanha pobreza.

Temos aqui, no solo, no subsolo, acima do solo e ao lado, tudo que um país precisa para ser o melhor do mundo. E em todos os tempos, desde o descobrimento. Sem dar chances a outros países de irem se alternando na liderança, como é comum e vem ocorrendo há centenas de anos.

O Brasil tem um subsolo, nada desconhecido, dos melhores do planeta. Para falar apenas no mais importante insumo, básico para a vida, no mínimo 12% de toda a água doce do planeta.

No norte e centro-oeste a maior e mais preservada floresta do mundo. Com diversidade impar. Claro, sendo destruída pelos inimigos, que nem se precisa nomear, dentro e fora. E aí, a melhor defesa lhes é o ataque. Viva o Brasil dos sabotadores.

O maior e melhor solo agricultável do planeta, o único capaz de alimentar a humanidade ainda por décadas, com a melhor agricultura do planeta.

Uma costa marítima, com tudo que ela pode dar, de cerca de 8.000 quilômetros. E para navegação, para reduzir custos e preservar o meio ambiente.

O país, certamente, com mais rios no mundo, de 42.000 quilômetros de extensão, se não mais. E que não usa para navegação interior e melhoria logística.

Povo criativo, talvez o melhor do mundo, podado a cada instante, impedido de usar sua criatividade para desenvolver o país. “Não, isso não pode, fique quietinho aí, que nós damos as ordens e normas para evitar as melhorias”.

Empresas estatais inchadas, pagando altos salários, a maioria dando prejuízos, para serem sustentadas pelo povo que tem salário irrisório e costa arqueada.

Com “450 dias” de sol por ano. Fora os de meio sol (sic).

Se analistas e economistas não leram isto, não fará qualquer diferença. Eles não têm mesmo interesse e nem conhecimentos suficientes para tal.

É Brasil, nascestes para ser rico, mas nunca vão deixá-lo. Nós povo, contentemos-nos em ser pobre. É nossa sina. Mas, a culpa é nossa mesmo, não estamos fazendo nada.

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Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; Incoterms®; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

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