Brasil, país do….passado
Não estranhem o título. Sabemos que é normal só se dizer “Brasil, país do futuro”. E isso é algo que todos ouvem desde a primeira fralda. Mas, quem já viveu sete décadas como nós, ou até menos, sabe que isso é uma das maiores falácias brasileiras.
Considerando a potencialidade, em várias áreas, tudo que temos de bom e o que não temos de ruim que outros países têm, isso é até verdade. E já escrevemos muitas vezes sobre isso aqui neste espaço.
O Brasil tem condições de ser o melhor país do mundo de todos os tempos. Não temporariamente, por algumas décadas, como já ocorreu com muitos países ao longo da história da humanidade.
Só que muitos que tinham as condições as aproveitaram. E muitos que nem as tinham também. Ainda que apenas por algum tempo. E, ao longo do tempo, os países vêm se sucedendo na primeira colocação. Que é dos Estados Unidos da América há cerca ou quase por um século.
O futuro ainda poderá ser deles ou, talvez, da China. Ou algum outro que comece a se destacar. E a Índia vem com vontade.
Já fomos, na década de 1970, um daqueles NICs – New Industrialized Countries (Novos Países Industrializados), que seriam “tops de linha” no início do segundo milênio. Não deu em nada. É só comparar nossa posição com os antigos “colegas” Hong Kong, Singapura, Taiwan, Coréia do Sul, etc. Todos voaram e nós continuamos em terra, quase soterrados.
Aí vieram novos parceiros, os BRICS, aqueles que, neste século seriam os novos “tops de linha”. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O grupo é tudo, menos BRICS. Em realidade é RICS. O Brasil nunca existiu nele. E, mais uma vez, ficaremos na fila até surgir um futuro novo bloco para nos iludirmos.
Até fomos isso em quase todo o século 20. De 1901 a 1980, com crescimentos extraordinários, conforme já destacados em vários dos nossos artigos. Mas, de 1981 para cá estamos na sarjeta, com crescimento médio anual de 2,4%. Nesta década teremos média anual inferior a 1,0%. Muito pior que a chamada década perdida, a de 1980, com 1,66%.
E, com as condições que temos hoje, as chances de crescimento real, efetivo, necessário pelos próximos quinze a vinte anos são nulas.
Assim, em realidade, sem otimismo ou pessimismo, apenas olhando para o que temos, somos mais um país do passado. Muito mais próximo daqueles mais pobres do que os em desenvolvimento.
Até o Paraguai, antigo patinho feito das redondezas, hoje cresce, atrai empresas brasileiras, inclusive indústrias, e nos dá lição de crescimento e carga tributária para produzir.
Até a febre amarela retornou. Assim como muitas coisas ruins. A saúde do país, bem como a educação e segurança estão em frangalhos absolutos. A nossa matriz de transportes e nossa infraestrutura estão em estado deplorável.
Até o comércio exterior, que poderia ajudar, como já fez com outros países, e o melhor exemplo do momento é a China, está em decadência absoluta desde 2011. Com nossa corrente de comércio caindo ano a ano, de US$ 482 bilhões naquele ano para US$ 323 bilhões em 2016. Mas isso significa menos de 1% do comércio mundial. E com perspectivas só um pouco melhores para 2017. Mas, muito longe de percentuais melhores que já tivemos no passado.
Vai Brasil, se vê pega, pelo menos no tranco.
Jornal DCI