Conjecturas sobre o “transporte virtual” no Comex
(será interessante a leitura do artigo anterior “Seguro: veículos autônomos e drones” no seguinte link https://webapp381390.ip-45-56-126-89.cloudezapp.io/?p=2491
O mundo está mudando muito rapidamente. Difícil acompanhar tudo que está acontecendo. E há coisas inimagináveis até há pouco tempo. Até há alguns anos ninguém poderia imaginar os veículos autônomos. Já escrevemos sobre isso e os impactos sobre o seguro de carga. Que deverá mudar radicalmente.
Há poucos meses recebemos a notícia de um navio autônomo, de 80 metros de comprimento, para 120 containers. Que atracará, embarcará e desembarcará os containers por si só, sem tripulação. Agora soubemos de um trem autônomo, puxado por três locomotivas, na Austrália, transportando 28.000 toneladas de minério de ferro. E o processo atingirá toda a cadeia de transporte e logística no futuro. Em pouquíssimas décadas ninguém mais deverá saber o que é dirigir um veículo qualquer. Nem avião, que certamente também entrará na onda de mudanças.
Isso já bastaria para mudar radicalmente nossas vidas, em especial o comércio exterior, nossa seara. Mas, não bastasse isso, estamos convivendo com novas tecnologias que podem, simplesmente, eliminar o transporte e a logística como a conhecemos hoje.
Que é a impressão 3D. A coisa boa é que será uma solução favorável ao Brasil, que sempre dissemos não ter logística, e o que temos é o pior do mundo entre países que contam e devem ser considerados nas estatísticas. Quiçá da Via Láctea. Aqui fazemos transporte, não logística.
Qual o impacto da impressão 3D para o transporte, a logística, o comércio exterior. O que começou com pequenas coisas está se expandindo de forma tal que devemos começar a pensar mais seriamente nela com relação a transporte interno e entre países. Que deverá afetar de forma decisiva o comércio exterior.
Hoje planejarmos uma peça qualquer, produzimos e transportamos por veículos convencionais. Com todo o procedimento largamente conhecido e utilizado há milênios. Primeiro nos próprios ombros com as próprias pernas, depois com veículos muito rudimentares e, com o tempo, com os veículos hoje conhecidos. E aí, com eles, o desenvolvimento da logística de transporte largamente conhecida. E se desenvolvendo continuamente.
O que o futuro nos sugere é que esse processo irá sendo abandonado aos poucos. Até sua extinção final. Pelos menos entendemos que isso ocorrerá fatalmente. Se a humanidade, beligerante, chegar até lá. Esperamos que sim.
O novo processo será o planejamento da peça e o seu envio para impressão 3D no destino. E, claro, sem dúvida, para controle da produção e direitos sobre o produto, impressão a partir do país de origem da peça planejada. Se for possível controlar isso, e entendemos que deverá ser.
E isso, claro, deverá se aplicar não apenas a peças. Nem somente a pequenas. Esse é um processo que deverá atingir tudo. Grandes e enormes peças. Partes de um todo imenso. Talvez, o máximo de mão de obra externa ao planejamento em impressão, seja a montagem. Mas, não devemos descartar a construção de impressoras gigantescas, para que a montagem também seja eliminada.
Aí entra a questão da mudança radical do transporte e logística. Que poderá ser drasticamente reduzido ou, quiçá, eliminado.
Claro que isso favorecerá a qualidade de vida no planeta. A humanidade entrará em nova era de prosperidade, aumentando a felicidade.
Mas, voltando ao comércio exterior, outras coisas importantes serão fortemente ou radicalmente afetadas.
Uma delas é o seguro de transporte, que poderá desaparecer. Tanto de veículos particulares, como de carga, nacional e internacional. As seguradoras deverão se reinventar e focar nas outras formas existentes hoje, e a serem criadas. Como vida, saúde, previdência, patrimonial, etc. Afinal, essas coisas continuarão existindo. Somente poderão ser tratadas de forma diferente.
Mas, e quanto ao transporte de carga? Isso poderá ser mais problemático. Não é como o seguro que apenas mudará de forma, de patamar. O transporte poderá desaparecer. A impressão 3D terá a capacidade de torna-lo obsoleto. Ou, pelo menos, torná-lo minúsculo, residual.
As fabricantes de peças e montadoras de veículos de carga como rodoviários, ferroviários, aéreos, poderão desaparecer. Igualmente os estaleiros para produção de navios de carga. Terão que sobreviver com transporte de passageiros. O que também, possivelmente, poderá ter um novo transporte, como o Drone.
Isso, indo bem mais além, se o teletransporte, que costumamos citar a nossos alunos, não tornar todos os meios de transporte obsoletos. O que não está fora do nosso radar para a segunda metade deste século. Se demorar tanto.
Portanto, o transporte de carga, em nossa opinião, está em cheque e temos que começar a pensar seriamente nisso. Claro que aos poucos, pois nada acontecerá radical e tão rapidamente.
Aduaneiras 03/08/2018
CistNews setembro/Outubro/2018