OMC, o Brasil e os erros – 2 (versão curta)

 

Em 06/06/13 publicamos neste mesmo espaço nosso artigo “OMC, o Brasil e os erros”. Em que criticamos o país de ter lutado com unhas e dentes pelo cargo de Diretor Geral da OMC – Organização Mundial do Comércio. Em especial com as armas utilizadas. Com intervenção forte da presidência e do Itamaraty. Com convencimento para apoio maciço, segundo se soube, de países da África e do Caribe. Todos sem nenhuma representatividade no comércio exterior. Isso deveria ser uma questão de comércio e não de governo e política.

Tínhamos acabado de politizar a geografia comercial mundial. Como é próprio do país nos últimos anos em tudo. Dividimos o mundo, sem necessidade, em hemisfério norte e hemisfério sul. Abrindo uma frente de discordância que não levaria a nada. A direção da OMC deveria ser um desejo dos players do setor, de comércio, e não de governos.

Portanto, dissemos, luta em hora errada. Em que não se lutava igual para melhoria do país, de modo a apresentar algo para poder pleitear algo. Era uma questão de puro bom senso. Mas, nestes tempos atuais, nada mais se vê neste “nunca antes neste país”. Aliás, nos corrigindo, como já colocamos diversas vezes, nem podemos dizer que somos um país, uma nação. O que somos, em realidade, é um grande acampamento. Em que nada que é importante interessa, em que a luta é cada vez mais pelo poder. O poder pelo poder. E, com isso, o país que “se vire”, para sermos amenos.

Infelizmente, com tudo isso, nossos medos e colocações se transformaram em realidade. Nosso otimista Diretor Geral, como em geral ocorre com os brasileiros, parece ter acabado de jogar a toalha. Corroborando tudo aquilo que dissemos na ocasião e citado acima. Quem viu os jornais de 17/10/14 percebeu a tristeza da situação. A Rodada Doha, iniciada em 2001, grande esperança do Diretor Geral, parece ter naufragado. Estamos terminando 2014 e não há luz no fim do túnel. E, nesse momento, se alguma luz for vista é, sem dúvida, um trem em sentido contrário, levando tudo que vê pela frente.

 Jornal DCI

Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; Incoterms®; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

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