Petrobrás, energia: uma reflexão descompromissada

 

Você, leitor, ouviu ou leu o que afirmou o ministro da Economia Paulo Guedes sobre nossa estatal do petróleo? Em 30 anos ela valerá algo igual ou próximo de zero! Pois neste artigo, queremos fazer uma reflexão sobre a Petrobrás de hoje, e do futuro. E da energia no Brasil e no futuro, talvez no mundo. É uma reflexão particular. Mesmo que poucos se arvorem em considerar relevante a leitura até o final, serve de contribuição aos mais atentos.

Todos aqueles que nos conhecem, que nos lêem, que nos ouvem, sabem o quanto somos liberais em termos econômicos. Talvez até demais. De forma que costumamos brincar, até meio sério, que Roberto Campos, talvez nosso maior economista, e Adam Smith, o Pai da Economia, são estatizantes perante nós.

Queremos a privatização de absolutamente tudo. Tudo mesmo! Não tem sentido o Governo possuir empresas e nem “produzir” (sic). Governo de qualquer esfera. São todos absolutamente incompetentes, em maior ou menor grau. Quantas empresas estatais, e quanto o Estado produz, na maior economia do planeta, lá no norte, no Tio Sam?

Empresas estatais, como órgãos públicos, não são mais do que cabides de empregos. Local para acomodar afilhados, apaniguados, políticos derrotados em eleições, e tudo o mais que o leitor desejar pensar. A tribuna é livre.

Ninguém desconhece o que acontece quando se privatiza uma empresa. Ela deslancha, decola, os produtos melhoram, os preços diminuem. É toda uma plêiade de benefícios.

Será que é demais relembrar algumas? Mas, nos basta apenas um exemplo. A telefonia no Brasil. Quem se lembra quanto custava um telefone nos anos 1970-1980? E de que ele era contabilizado na Declaração de Imposto de Renda? É necessário falar mais?

Precisamos urgentemente privatizar todas as nossas empresas estatais. O Estado tem que se ater a cuidar da população, aquela pagadora de impostos, que praticamente nada recebe em troca neste país. Temos uma das mais altas cargas tributárias do planeta, em termos absolutos, e a mais alta em termos relativos. EUA, Japão, Suíça, Chile, China, etc., têm carga tributária absoluta bem menor que a nossa. E o que fazemos com a nossa? Cabide de empregos? Fundo eleitoral? Gastos insuportáveis do congresso e do judiciário?

Aí já teremos quem dirá “mas, e o desemprego que provoca?”. Não provoca. Isso é um mito. Provoca em princípio, porém, depois vai produzir muitos mais. E mais eficientemente e com mais competitividade do que tinha antes. A iniciativa privada tem que responder a acionistas, o que as estatais não fazem. E nem sequer são controladas. E aí vai empregar mais. A economia roda com mais investimentos, empregos, maiores salários, mais consumo e assim por diante, numa roda viva. E não roda morta.

E onde entra a Petrobrás, título deste artigo? Da mesma forma, tem que ser privatizada urgentemente. Mas, dirão, ela é produtiva, dá lucro. Empregará muito mais no futuro, e dará mais lucro. E, melhor, com preços menores para seus produtos, pois serão retirados dos preços os cabides de emprego, a incompetência, os desvios, etc.

Até porque, o que valerá a Petrobrás num futuro não muito distante, já que se insisti muito, atualmente, na mudança de combustível dos veículos? A Petrobrás entrará na energia elétrica? Nuclear? No hidrogênio ou outra qualquer? Será? Com ou sem competência e/ou cabide de emprego? Hora de privatizar a Petrobrás, e urgente.

E falando em Petrobrás e combustíveis, qual a razão para se considerar o preço do dólar nos combustíveis? Isso se justificava no passado, já bem distante, quando “não tínhamos” petróleo. Por exemplo, quando o Governo Sarney, em 1987, declarou moratória na dívida externa brasileira, por não temos dólares para pagar nossas importações e compromissos internacionais.

Nessa ocasião, o país importava cerca de 85-90% do petróleo que consumia. E no choque do petróleo de 1973, o barril, de 159 litros, pulou de US$ 1.20-1.40 para US$ 12.00-14,00. E no segundo choque, em 1979, pulou para US$ 40.00. Aí sim se justificava utilizar preços internacionais e a taxa do dólar.

Mas, hoje, com o país auto-suficiente, inclusive exportador, qual a justificativa para uso da taxa do dólar? Nenhuma. Como importamos, também exportamos, e tudo, mais ou menos, se equilibra. Portanto, há que se usar o custo de produção, de salários, na nossa moeda, o Real. Fora disso, é delírio e inconseqüência.

E, qual a justificativa para que o etanol, produzido aqui, acompanhe o preço da gasolina? Só porque ela é colocada na gasolina, e porque há que se manter uma paridade entre os preços dos dois combustíveis? Que loucura é essa?

E, por falar em energia elétrica, o mundo automobilístico parece ter enlouquecido. Milhões, centenas de milhões de carros elétricos? De onde se tirará essa energia elétrica, que hoje já pode fazer falta, pois depende de chuvas e não temos tanta energia assim? Nem no Brasil nem no mundo. Afora os preços dos veículos, que serão para pouquíssimos privilegiados. Ao invés do progresso para a humanidade, o retrocesso.

A loucura brasileira produziu a Usina de Belo Monte, sem um lago, com capacidade de 18 turbinas, em que apenas meia turbina funciona. E ainda queremos empresas estatais? Para ficarmos cada vez mais pobres?

Portanto, pessoas de bem, lúcidas, que querem um país melhor, cessem as dúvidas e o jogo contra. Privatização de tudo já. Os políticos que façam política com o dinheiro deles. Nós não temos que pagar para que se elejam, e para destruírem empresas e empregos, como fizeram com a própria Petrobrás. Não chega o exemplo?

Brasil, acorde, chega de berço esplêndido. Comecemos já, e pela mudança da letra do nosso Hino Nacional em partes como “deitado em berço esplêndido”. Com isso, só a preguiça ganha.

Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; Incoterms®; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

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4 Comments

  1. Parabéns Samir pela reflexão, estamos longe disso. Uma máquina viciada e que para o bem necessitará de muita gente honesta com visão de futuro. Sempre haverá esperança para que os filhos dos nossos netos venham a ter um país mais descente e sério… desde as mais altas esferas até o simples cidadão.

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  2. Amigo e Prof. Samir,
    Mais uma quantidade fantástica de informações!
    Gratidão!

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