São Paulo: bonita ou feia? (edição especial)

 

Em 05 de dezembro de 2013, nosso artigo “São Paulo: Bonita ou feia?“, foi publicado no jornal Diário do Comércio, da ACSP.

Ele foi escrito sob inspiração e início de conversa do amigo Jorge Barroso, português, radicado no Brasil.

Agora, sob pedido, para nosso orgulho, ele acaba de ser publicado na Revista do Historiador, da Academia Paulista de História-APH, do bimestre janeiro-fevereiro/2014, edição 171.

Foi publicado em 4 páginas, ilustrado por 5 belas fotos da cidade de São Paulo, abrindo a revista. Excelente publicação.

Agradecemos esta honra ao Sr. Luiz Gonzaga Bertelli, Presidente do CIEE e da APH, e titular da cadeira no. 21 da Academia.

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SÃO PAULO: BONITA OU FEIA?

Há algumas semanas, numa reunião “sabadina” de bate papo descontraído, de conversa jogada fora com um grupo de amigos de juventude, e alguns mais recentes, surgiu uma questão interessante. A cidade de São Paulo é feia ou bonita? Tivemos opiniões sobre sua beleza e sobre sua feiura. Não palpitamos, apenas ouvimos. Já estávamos dedilhando no computador da cabeça algo sobre isso. É um assunto sobre o qual nunca pensamos em escrever, embora já tenhamos uma opinião a respeito. Mas, considerando que se levantou o tema, veio a vontade. Por que não, pensamos? Afinal, é também uma questão política, e adoramos o assunto.

Cada vez que vamos ao centro da cidade, frequentamos bem o centrinho velho, em seu raio de 2-3 quilômetros. E fazemos isso há longos e seguidos quase diários 16 anos. Sempre olhamos a cidade e pensamos sobre isso, por onde quer que andemos. Acreditamos que é inevitável estando lá.

Em nossa opinião, ela é bonita e feia ao mesmo tempo. Mas, com certeza, mais bonita que feia. O problema da cidade é que ela é muito mal cuidada. Tem coisas lindas. Mas não aparecem, em face da sujeira, do desleixo e desrespeito com que é tratada por todos.

Antes de começarmos a frequentá-la seguidamente, a detestávamos. Evitávamos ir ao centro. Ficamos alguns anos sem ir lá, trabalhando na periferia da cidade, a não ser em esporádicas ocasiões, para algo bem específico. Alguns locais não víamos há anos. Mas começando a ir lá, analisando, pudemos ver como ela é bonita.

Temos a Avenida São Luís, bem no centrinho, uma via de duas pistas, arborizada, canteiro central com flores e que é bonita. Claro que poderia ser linda até. Bastaria o canteiro central ser mais bem tratado, ter mais flores, e que fosse limpa. Aí seria espetacular. Uma das vias mais bonitas da cidade, embora de pequeno tamanho. E, ainda, ladeada pela Praça Dom José Gaspar, bonita, animada e muito frequentada. Mas carecendo de tratamento melhor. Que é uma ligação para a Rua Sete de Abril. Uma travessa da Sete de Abril, bucólica, linda, é a Rua Nova Barão. Um espetáculo com seus menos de 100 metros.

A Praça da República, após a reforma há alguns anos, ficou bem melhor. Mas faltam cuidados, flores, etc. A Avenida Ipiranga e a Rua da Consolação são outras bem apresentáveis. A Avenida São João idem. Em especial no seu começo, também bucólica, com seu calçadão se iniciando na Praça Antonio Prado e ligando com o Anhangabaú, outro lugar muito bonito. A própria Praça Antonio Prado, com a Bolsa, e as bonitas casinhas comerciais nela. Ali, naquele miolo, temos belas ruas como a Boa Vista, 15 de Novembro, a João Brícola etc. Temos o Largo do Café. O histórico Páteo do Colégio.

O centrinho, ao redor da Praça da Sé, com a Rua Direita e outras. Mas, todas mal cuidadas. Os Viadutos do Chá e Santa Efigênia são cartões postais. A Avenida Paulista é outra via linda. E nela temos o Parque Trianon e o MASP, dignos de nota. E muitas outras coisas mais. As Avenidas Faria Lima e Luis Carlos Berrini são muito bonitas. Esta, em conjunto com a Marginal Pinheiros, tem prédios belíssimos. Todos com arquiteturas diferentes, nunca repetidas.

Já que estamos aqui, quem anda na marginal Pinheiros no sentido zona sul, e olha para a esquerda, pode ver que é arborizada, florida, e tudo bem diversificado. Ande-se dentro da USP – Universidade de São Paulo, e se pode admirar uma bela flora. As Avenidas Pedroso de Moraes e Sumaré também são dignas de serem vistas.

E temos belos monumentos na cidade, e muitos. É possível que se possa dizer que a cidade de São Paulo é um museu a céu aberto, tantas as obras expostas. Assim como Buenos Aires. Mas, lá elas são turisticamente exploradas. Um mero café histórico, um simples busto do Gardel, uma praça – tudo é explorado adequadamente. É atração. É a diferença entre um povo com e outro sem memória.

Temos uma cidade mal cuidada, suja, sem policiamento. Todos colaboram por igual com isso. O poder público, o povo, os comerciantes, os motoristas, os pedestres, os ciclistas, os motociclistas, enfim, todos. Mas, com certeza, a culpa maior recai sobre o poder público. Incapaz de cuidar da cidade e de controlar seus cidadãos e dar educação.

Quando se anda de carro pela cidade, e é em toda a cidade mesmo, até suas fronteiras, não há como gostar de São Paulo. Calçadas esburacadas que podem, facilmente, levá-lo a um hospital. A prefeitura não cuida, nem obriga que se cuide. Nem sequer as empresas prestadoras de serviços, que encontram tudo em ordem, devolvem as coisas como estavam depois do serviço feito.

Nossas ruas são também muito mal cuidadas. Esburacadas e totalmente remendadas. Há algumas que nem merecem ser chamadas de ruas. O correto é falar “buracos com alguma rua ou remendos com alguma rua”…. As ruas já não têm mais faixas pintadas. Nem as velhas, nem as novas ou recapeadas. E os motoristas, mesmo onde cabem dois ou três carros lado a lado, as tratam como tendo faixa única por isso, prejudicando com isso todo o trânsito. Também, com a educação de trânsito que temos e com o que se ensina na auto-escola, tinha que dar nisso…

Hoje o poder público não coloca mais placas indicativas de via preferencial, e ninguém mais sabe o que isso significa. Quem vem por uma marginal, por exemplo, é obrigado a parar para que um mal educado motorista, que vem de uma ponte, entre nela. Êita, São Paulo. Igual ao Brasil…

Revista do Historiador (da Academia Paulista de História-APH)

Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; Incoterms®; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

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