Surpresas no comércio exterior – 37 (container, medidas e TEU)

 

O container foi criado pelo caminhoneiro norte-americano Malcom Purcell McLean, e primeiramente embarcado no convés de um navio tanque adaptado, o Ideal-X, em 26/04/1956. Com isso, finalizando um projeto iniciado em 1937, com unidades de 35 pés (35’ = 10,668 m). Pé é uma medida inglesa, que equivale a 30,48 cm. O pé é dividido em 12 partes, a polegada, que mede 2,54 cm.

Essa unidade de transporte foi padronizada em 1968 pela ISO – International Organization for Standardization. Suas padronizações mais utilizadas são os containers de 20 pés (20’ = 6,096 m) e 40 pés (40’ = 12,192 m). E são com essas medidas que são construídas as baias (bays) dos navios porta-containers. Mas, existem outras medidas, como por exemplo, container de 45 pés (45’ = 13,716 m).

Foi inicialmente idealizado para o transporte marítimo, mas, não se pode dizer que é apenas para ele. Ele é utilizado em todos os modos de transporte, sendo o equipamento ideal para conter uma carga, sob todos os aspectos. Principalmente no transporte rodoviário, que é o mais comum para transportar containers a serem levados e retirados dos portos. Que era o objetivo inicial do seu criador.

Essa unidade é o melhor, mais seguro e mais versátil equipamento utilizado para cargas de todo tipo, tendo como limitação técnica o tamanho da carga e, em algumas situações, o seu valor agregado.

Para medições não se utiliza o termo container, visto que seria impossível determinar uma quantidade movimentada considerando que há mais de uma medida padronizada e utilizada.

Assim, foi criada a unidade padrão especialmente para isso, com o container de 20’, denominada de TEU – twenty feet or equivalent unit (unidade de vinte pés ou equivalente). E é com ela que se mede as capacidades dos navios, pátios, terminais, operações portuárias, etc. Assim, um container de 40’ representa 2 TEU.

Com isso, é possível medir e quantificar coisas iguais, portanto, pode-se dizer que foram movimentados “X” TEU, ou que comporta “X” TEU. O que não seria possível se a medição fosse feita com o próprio equipamento, isto é, “X” containers de capacidade ou movimentados.

Portanto, ao se referir à capacidade de um navio, não se deve dizer que ela é de, por exemplo, 6.000 containers. Assim, não se sabe o que exatamente está transportando e qual seu tamanho, visto a diversidade de containers. A capacidade do navio é dada por quantidade em TEU.

Assim, um navio com uma capacidade de 9.000 TEU pode transportar entre 9.000 unidades de 20’ e 4.500 unidades de 40’. Portanto, ele pode transportar um misto dos dois, por exemplo, 3.000 containers de 40’ e 3.000 containers de 20’, equivalendo a 6.000 containers no navio. Assim, vê-se que um navio de 6.000 containers, não necessariamente transporta 6.000 unidades.

Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; Incoterms®; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

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