Turismo de entrada – melhor saída do Brasil para geração de divisas

 

Hoje queremos relembrar nosso artigo “Turismo de entrada – melhor saída do Brasil para geração de divisas“, publicado no jornal Portos e Comércio Exterior, da 2a. quinzena de junho de 2004, quando, novamente, estávamos absolutamente sozinhos falando sobre o futuro do Brasil. Naquela época recebíamos 4 milhões de turistas e hoje continuamos com a vergonhosa marca de cerca de 5 milhões. Grato pela leitura.

 

Ao longo do tempo temos acompanhado o noticiário sobre as principais mercadorias de exportação do Brasil. A primeira da pauta é a sempre reverenciada soja, café, avião, minério de ferro, petróleo, veículos, etc, enfim há vários produtos para isso.

Somos os primeiros colocados no mundo em alguns mercadorias, e em 2003 tomamos a liderança das exportações de frango, carne bovina e soja.

Essas mercadorias trazem divisas e geram empregos, o que é muito bom para o país. Mas a grande questão é que o aumento nas suas vendas não têm gerado os empregos necessários à diminuição do desemprego no país. Isso voltou a ocorrer em 2003, com a exportação crescendo 25% e, no entanto, o emprego não acompanhou a explosão da área.

Vamos ter que continuar fazendo um esforço exportador cada vez maior de modo a que a atividade gere o crescimento necessário. E Parece que, finalmente, estamos no caminho correto. Esperamos que não seja apenas mais uma estilingada temporária. Desejamos que esse esforço não se arrefeça com uma possível retomada do crescimento econômico. Já temos experiência de desvio de atenção do comércio exterior para o mercado interno, o que não foi bom.

No entanto, o país tem um produto de exportação para o qual não se tem dado a devida atenção. Aliás, há muita gente que nem pensa nessa possibilidade como concreta e de grande utilidade.

Colocamos à discussão uma idéia, nada nova para muitos, que julgamos possa ser a redenção da economia nacional. Melhor que qualquer mercadoria que se queira privilegiar. Estamos falando do turismo, que pode até pagar a divida externa brasileira em poucos anos. Bem como gerar os empregos necessários ao país.

O Brasil é um país com sol praticamente o ano todo. Está ligado ao mundo por meio de transportes e comunicações de todos os tipos. Vir ao país é uma tarefa que não requer prática nem habilidade.

Ficamos pensando, e não entendemos direito, por que o país não faz um esforço para atrair turistas. O país recebe atualmente, pelo que se lê na grande imprensa, alguma coisa como 4 milhões de turistas. A França recebe, de acordo com o noticiário, cerca de 70 milhões de turistas por ano, enquanto a Espanha recepciona 60 milhões de pessoas. Somente a cidade Grega de Atenas é agraciada com 10 milhões de estrangeiros. A Argentina recebe mais turistas do que o nosso país.

Poder-se-ia pensar no que eles tem que nós não temos, e explicar a diferença. São cidades famosas e históricas, como é o caso de Atenas, Roma e outras. Isso, evidentemente, não explica, pois as pessoas não querem ver ou visitar apenas cidades assim.

O Brasil é um país maravilhoso do ponto de vista físico e tem belezas naturais extraordinárias. Temos algumas das mais belas praias do mundo, assim como a maior floresta, um belo pantanal, etc. Há muito que se ver no Brasil.

Pode-se perguntar então qual é o grande problema. Na realidade temos muitos grandes problemas. O turista não encontra a segurança ideal para visitar o país. Não há tanta gente que fale alguns idiomas estrangeiros que possa colocar o turista à vontade e auxiliá-lo. Nem sempre o turista é reverenciado da maneira que merece, e todos devem sê-lo se trazem ao país as divisas necessárias à sua sobrevivência.

É preciso investir especificamente para o turismo, em especial em segurança, de modo que se garanta ao turista um retorno são e salvo e que não morrerá em suas férias.

Não temos visto ao longo da nossa história um esforço de vendas do país no exterior. Quando já se fez um grande exposição de fotos para mostrar, por exemplo, as praias brasileiras de modo a deixar o turista com água na boca?

O governo já pensou em afretar um avião para 100 passageiros, colocando dentro e enviando para a Europa uma ala atraente de alguma escola de samba para mostrar o que temos? Que tal um desfile em cada capital européia, e dizer ao turista que aquilo representa menos de 5% de uma escola de samba?

Quais seriam os efeitos de aumento do turismo? O que ocorreria se criássemos as condições para o recebimento de diversos milhões de turistas por ano? Ainda que abaixo do que recebem os países europeus citados? Será que haveria alguma dificuldade para um país bonito e cheio de atrativos como o nosso, atrair, por exemplo, meros 50 milhões de turistas?

Suponha-se um turista passando em média 15 dias no Brasil e gastando aqui cerca de US$.1,000.00 nesse período. Isso representaria uma entrada em divisas de 50 bilhões de dólares norte americanos.

Seria suficiente para uma reversão da nossa balança de serviços e balanço de pagamentos, e não dependermos mais de nenhum organismo internacional. Nem sujeição a qualquer política econômica determinada de fora. Em especial dos países mais desenvolvidos, muito comum em relação aos países periféricos, o que também somos.

Em poucos anos pagaríamos nossa dívida externa e teríamos todas as condições de termos um crescimento sustentado. Nada cria mais empregos do que o setor de serviços, e o turismo é um dos maiores criadores de emprego, que é o que precisamos.

O que falta para isso? No nosso entender apenas uma visão prática, de futuro e, em especial vontade política.

Jornal Portos e Comércio Exterior, da 2a. quinzena de Junho de 2004

Author: Samir Keedi

-Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros; Incoterms®; carta de crédito e suas regras; documentos no comércio exterior; contratos internacionais de compra e venda. -Generalista em várias atividades em comércio exterior. -Consultor em diversos assuntos relativos ao comércio exterior. -Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Colunista em jornais e revistas especializadas. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

Share This Post On

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *